No último post, mostramos que mais da metade das cidades de Santa Catarina trocou de provedor líder desde 2021. A pergunta que fica é: com o que o provedor regional defende a sua posição quando a fibra virou padrão?
Uma das respostas apareceu num evento do setor em São Paulo, no fim de setembro. A Anatel deixou claro como enxerga o mercado de operadoras móveis virtuais, e a visão dela favorece justamente quem já tem relacionamento com o cliente na cidade.
O que a Anatel disse
A Anatel não planeja regular o mercado de operadoras móveis virtuais (MVNO) por meio de tabelamento de preços, e também não pretende criar licenças exclusivas para a operação de Internet das Coisas (IoT). A declaração foi do superintendente de Competição da agência. teletime
O argumento central: o ecossistema de MVNO é diverso demais para que uma regulação por preço atenda a todo o mercado, e esse tipo de intervenção é adotado apenas em situações excepcionais no cenário internacional. teletime
E o ponto que mais interessa ao provedor regional: a Anatel não espera ver as MVNOs competindo por preço com as operadoras móveis tradicionais, mas se destacando pela customização e agregação de serviços. teletime
O que ainda não é regra
Vale separar o que é sinalização do que é norma. O órgão avalia ajustar parâmetros regulatórios, como exclusividade de contratos e roaming, para que as MVNOs possam explorar nichos de mercado. Isso ainda está em construção: após a tomada de subsídios, a Anatel trabalha na avaliação das contribuições e num relatório para o Conselho Diretor, que deve abrir caminho para disposições sobre exclusividade, interoperabilidade e roaming no mercado de MVNO. teletimeteletime
O debate também não está fechado do lado do mercado. No mesmo evento, agregadoras de operadoras móveis virtuais defenderam um preço teto para ofertas de atacado de MVNO, como parte de uma eventual regulamentação da Anatel. teletime
Ou seja: a direção está dada (MVNO como negócio de serviço, não de preço), mas as regras finais ainda podem mudar. Quem planejar uma operação móvel agora deve trabalhar com esse cenário em aberto.
Por que essa visão favorece o provedor regional
Se a MVNO não deve competir por preço, ela vence por relacionamento, conveniência e pacote. É exatamente o que o provedor regional já tem:
- Relacionamento local: o cliente conhece a marca, a loja, o técnico e o atendimento.
- Cobrança já estabelecida: o móvel entra na mesma fatura, sem criar uma nova relação de pagamento.
- Nicho natural: para o provedor regional, o nicho é a própria cidade. Ninguém conhece melhor aquele mercado.
Em vez de disputar o cliente das grandes operadoras no preço do gigabyte, o provedor oferece algo que elas não oferecem do mesmo jeito: internet e celular da mesma empresa local, com uma única fatura e um único atendimento.
O que muda na conta do provedor
O efeito financeiro do móvel aparece em três frentes, todas dentro da base que o provedor já tem:
- Mais receita por assinante (ARPU): um segundo produto recorrente vendido ao mesmo cliente.
- Custo de aquisição baixo: a venda acontece na base ativa, sem a disputa por cliente novo numa cidade com dez concorrentes.
- Custo de troca maior: o cliente que tem internet e celular com o mesmo provedor pensa duas vezes antes de migrar só a internet.
Esse terceiro ponto conversa diretamente com o cenário de Santa Catarina: num mercado onde a liderança muda de mãos, cada produto a mais na relação com o cliente é uma camada a mais de defesa.
O que exige atenção antes de lançar
MVNO não é um SVA de ativação simples, e tratar como se fosse é o erro mais caro. A operação envolve portabilidade de número, logística de chip, atendimento de demandas típicas de telefonia móvel e dependência da cobertura da rede parceira.
Por isso, a pergunta certa não é “devo ter um chip?”, e sim “quem vai operar isso?”. O modelo que preserva a margem e a simplicidade é o de gestão feita por especialista do produto, com contrato direto e preço direto do fornecedor, sem pedágio de intermediação. A marca e o relacionamento ficam com o provedor; a complexidade técnica fica com quem opera móvel todos os dias.
Três perguntas antes de colocar sua marca num chip
- Quanto da sua base usa celular pré-pago ou plano básico? É esse cliente que tende a ver valor em juntar móvel e internet com a mesma empresa.
- Sua equipe tem estrutura para atender demandas de telefonia móvel? Se não tiver, o modelo precisa incluir essa gestão.
- Qual oferta combinada faz sentido na sua cidade? Desconto no combo, bônus de dados para quem é cliente de fibra ou plano exclusivo para a base: a escolha define margem e adesão.
Coloque o móvel na relação que você já tem com o cliente
A ISP Solution ajuda provedores regionais a lançar operação móvel com a própria marca, com gestão feita por especialista, contrato e preço direto do fornecedor. Sem pedágio, mais margem para o provedor e menos complexidade na operação. Fale com nosso time e veja se o modelo faz sentido para a sua base.
Fontes
- TELETIME, “Anatel descarta regular MVNO por preço e licença exclusiva para IoT” (22/09/2026): https://teletime.com.br/22/09/2026/anatel-descarta-regular-mvno-preco-iot/
- TELETIME, “Agregadoras de MVNO querem roaming nacional e preço teto no atacado” (22/09/2026): https://teletime.com.br/22/09/2026/agregadoras-mvno-roaming-preco-teto/
