Uma pesquisa recente do Índice Global de Inovação (IGI), elaborada pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual), trouxe uma notícia que acende um alerta para o Brasil: em 2025, o Chile ultrapassou o Brasil no ranking regional de inovação e agora ocupa a posição de maior economia inovadora da América Latina.
O que o ranking mostra
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O Chile alcançou a 51ª colocação global no IGI 2025, superando o Brasil na corrida regional.
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O índice considera dezenas de indicadores, divididos entre inputs de inovação (educação, infraestrutura, investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, ambiente institucional) e outputs (patentes, criatividade, produtos inovadores, etc.).
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O desempenho do Chile destaca-se nos aspectos de instituições e mercado sofisticado, embora ainda haja espaço para melhorias nos outputs de tecnologia e nos resultados de pesquisa.
🔍 Por que isso importa para o Brasil e para ISP
Essa mudança de posição no ranking não é apenas simbólica; ela reflete tendências que podem ter impacto concreto no setor de telecomunicações:
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Pressão por inovação regulatória e competitiva
O avanço do Chile pode indicar que países latino-americanos estão investindo de forma sustentável em políticas de incentivo, infraestrutura digital, capacitação e modernização. Para o Brasil, isso reforça a necessidade de aprimorar marcos regulatórios, incentivar P&D local e apoiar ISP regionais que atuam com menor escala, mas grande potencial. -
Maior expectativa por serviços avançados
Com ecossistemas mais inovadores, cresce a demanda por internet de alta capacidade, menor latência, melhores ofertas de conteúdo e serviços diferenciados, tudo isso algo que provedores locais podem oferecer se investirem em fibra, tecnologias modernas (como XGS-PON, Open Access, etc.) e infraestrutura resiliente. -
Competitividade internacional e atração de investimentos
Países bem avaliados em inovação tendem a atrair mais capital estrangeiro, startups, parcerias tecnológicas. ISP que operam em ambientes inovativos podem se beneficiar disso: seja através de fundos, subsídios ou cooperação técnica. -
Oportunidades para adoção de novos serviços
As empresas e consumidores desses países com melhor desempenho em inovação costumam adotar mais rapidamente serviços digitais emergentes: cloud computing, Internet das Coisas (IoT), IA, smart home, segurança cibernética. Para os ISP, isso é uma oportunidade para diversificar seu portfólio de SVA.
Possíveis caminhos para ISP reagirem
Para que os provedores não fiquem para trás nessa corrida de inovação, algumas ações práticas podem fazer diferença:
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Avaliar parcerias com universidades, centros de pesquisa ou startups para desenvolvimento local de soluções tecnológicas.
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Focar em infraestrutura resiliente: mais fibra, capacidade para suportar aumento de tráfego, menor latência, maiores velocidades simétricas.
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Investir em automação, Internet das Coisas, segurança cibernética, áreas valorizadas pelo ranking.
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Prover serviços digitais que vão além da conectividade pura: streaming, cloud,-home office, smart solutions, etc.
A virada do Chile no Índice Global de Inovação é um alerta para o Brasil se reavaliar. ISP brasileiros têm um papel estratégico tanto na oferta de conectividade quanto na adoção de inovação como diferencial competitivo. Quem se mexer primeiro, com planejamento e visão de futuro, poderá reverter esse quadro e retomar espaços de liderança regional.
