O Brasil encerrou junho de 2025 com 52.908.961 acessos de banda larga fixa, conforme dados oficiais da Anatel. Esse número representa um avanço expressivo frente aos 15,2 milhões de conexões registradas em 2011, o que consolida a expansão da conectividade no país ao longo da última década e meia.
Ajustes que revelam uma realidade ainda maior
Apesar do crescimento anual de 6,31% em relação a junho de 2024, a análise mais atenta revela que esse dado pode estar subestimado. Isso porque 822 prestadoras não reportaram informações no mês de junho, o que representa uma possível subnotificação de cerca de 976.307 acessos.
Com esse ajuste, o total de conexões ultrapassa 53,8 milhões, elevando o crescimento anual para 8,26%, um ritmo robusto, especialmente em comparação com mercados internacionais. Para se ter uma ideia, o Brasil adicionou mais acessos em 12 meses do que diversos países europeus em três anos.
Destaques do cenário atual
Fibra óptica domina: Com 77,9% dos acessos, a fibra permanece como a principal tecnologia de conexão do país. Entre operadoras competitivas, esse número ultrapassa 90%.
Satélites de órbita baixa (LEO): O acesso via satélite cresceu 29,1%, impulsionado pela entrada e consolidação dos satélites LEO no território nacional, adicionando 141 mil novos acessos.
Tecnologias legadas em queda:
Rádio: -9 mil acessos
Cabo coaxial: -280 mil acessos
Cabo metálico: -470 mil acessos
Perfil dos usuários e pulverização do mercado
A residencialização do consumo também é evidente: 88% dos acessos são residenciais (B2C), apontando oportunidades ainda pouco exploradas no segmento corporativo (B2B).
Outro dado que chama atenção é a alta pulverização do mercado:
As 10 maiores operadoras concentram 57,9% dos acessos.
Os 42,1% restantes estão nas mãos de 8.347 prestadoras.
Ao todo, mais de 22 mil empresas operam no setor de banda larga no país, um grau de fragmentação único no mundo.
O paradoxo do crescimento
Apesar da expansão consistente, o ritmo atual ainda não acompanha o grau de pulverização do mercado. A fragmentação, somada à informalidade e aos desafios regulatórios, limita:
O ganho de escala
A eficiência operacional
A visibilidade sobre a real infraestrutura disponível no Brasil
Esse cenário exige atenção estratégica. O fortalecimento da governança, a consolidação de operações e a melhoria nos sistemas de reporte de dados são essenciais para garantir que o crescimento da banda larga no país continue sendo sustentável, inclusivo e tecnologicamente robusto.
