Na abertura do evento NEO 2025, realizado em 20 de outubro de 2025, o ministro das Comunicações enfatizou o papel central da infraestrutura digital para o desenvolvimento nacional e reafirmou o compromisso da pasta com a ampliação da conectividade, sobretudo por meio da colaboração entre setor público e privado.
Para ISP e provedores regionais, especialmente aqueles que oferecem ou pretendem oferecer serviços de valor-agregado (livros, audiolivros, streaming, jogos, etc.), há vários pontos de atenção e oportunidade destacáveis:
1. A tônica da inclusão digital e da previsibilidade regulatória
O ministro afirmou que a conectividade é tratada como “direito de todos” e que o governo está empenhado em oferecer segurança e previsibilidade aos investidores no setor de telecomunicações.
→ Para ISP, isso significa que o ambiente regulatório tende a favorecer expansionistas, inclusive para pequenos e médios provedores, abrindo caminho para novos serviços SVA ligados à conectividade de qualidade.
2. Indicadores de investimento e cobertura que impactam diretamente o mercado de ISP
Alguns números citados:
De janeiro a agosto de 2025, os investimentos estrangeiros em telecomunicações somaram R$ 25,13 bilhões, crescimento de 10,1% frente ao mesmo período do ano anterior.
Em agosto de 2025 apenas, os valores foram de R$ 2,74 bilhões.
A cobertura 5G cresceu de 352 municípios em dezembro/2024 para mais de 1.500 municípios em junho/2025.
A banda larga fixa alcançou cerca de 52 milhões de acessos, com aumento de 13,5% nas conexões por fibra óptica.
→ Esses dados reforçam que o mercado de infraestrutura está em expansão, o que abre janelas para ISP regionais ampliarem serviços, adotarem fibra, investirem em SVA de banda larga e diferenciação.
3. Projetos estratégicos que criam novas frentes de atuação
Alguns destaques do ministério que afetam diretamente ISP:
O programa Programa Norte Conectado implantará 12 mil km de cabos ópticos subfluviais na Amazônia, com investimento de R$ 1,3 bilhão voltado para levar internet de alta velocidade a 10 milhões de pessoas em 70 municípios.
→ ISP regionais nesses mercados, ou grupos que desejem atuar em regiões menos atendidas, podem ver nisso uma oportunidade para se conectar ou participar de consórcios, gerir infovias, oferecer SVA locais.A Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, apoiada pelo Novo PAC, prevê R$ 6,5 bilhões de investimento até 2026 para conectar as 137.847 escolas públicas de educação básica, atualmente 65% já estão cobertas, beneficiando mais de 23 milhões de estudantes.
→ Para ISP: oportunidades de contratos com escolas, oferta de conteúdos educacionais, pacotes SVA para instituições de ensino, e diferenciação de serviço.O anúncio de que o leilão da faixa de 700 MHz será lançado em breve, com foco em áreas remotas e rodovias.
→ ISP que atuam em regiões periféricas ou rodovias podem se posicionar para aproveitar a nova cobertura móvel ou fazer parcerias.
4. O papel dos provedores regionais e pequenos no ecossistema
O ministro lembrou que as prestadoras de pequeno porte “têm papel importante” no processo de expansão da conectividade, podendo formar consórcios para gestão das infovias.
Também foi destacado que o fundo FUST investiu R$ 3,1 bilhões nos últimos anos para ampliar conectividade, e que em 2025, junto com o BNDES, os “linhas de apoio para provedores de micro, pequeno e médio porte” foram ampliadas em 75%.
→ Para ISP regionais que oferecem ou querem oferecer SVA, isso significa: (i) existência de apoio institucional para expansão de infraestrutura; (ii) chance de diferenciação no portfólio de serviços; (iii) vantagem competitiva se integrando às novas frentes de investimento.
A fala do Ministério das Comunicações no evento NEO 2025 reforça que o momento é estratégico para ISP e para o ecossistema de serviços digitais. Para provedores e empresas que agregam valor além da conectividade, torna-se imperativo estar alinhado com a agenda de expansão, regulação e inovação do setor.
Aliando infraestrutura crescente, regulação favorável e oferta de SVA bem construída, há um cenário promissor para crescimento sustentável. A dica é: monitorem de perto os editais, programas como o FUST, os leilões (700 MHz, cabos submarinos, data centers), e preparem o portfólio para capitalizar neste impulso de conectividade.
